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2014-11-13

Pilotos consideram os “ataques de lasers” a aviões "preocupantes"


A Associação Portuguesa dos Pilotos de Linha Aérea (APPLA) classifica como preocupantes os “ataques de lasers” a aviões e apelou à realização de uma campanha de sensibilização da população acerca dos riscos deste comportamento. 

A criminalização destas ocorrências é também defendida pelos pilotos. 
 
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) recebeu, entre 2012 e outubro deste ano, quase 550 ocorrências de lasers apontados a aviões durante o voo, perto dos aeroportos nacionais, situação classificada como de "grave" para a aviação, segundo este organismo público. 
 
“Em termos operacionais, de facto, é preocupante. Os ataques de lasers são feitos de uma de três maneiras: ou pela iluminação de uma discoteca, de um acontecimento noturno em que há um laser bastante potente que incide na aeronave que está a aterrar ou a descolar, ou por alguém na brincadeira, geralmente com um laser pequeno, ou com o intuito de pirataria mesmo, com dolo e intenção”, explicou à agência Lusa Miguel Silveira, presidente da APPLA. 
 
Seja qual for a circunstância em que o laser é apontado a um avião, caso ocorra no momento em que a aeronave está próxima do solo, há riscos para a tripulação. 
 
“Pode causar cegueira momentânea ou reproduzir imagem dupla na retina. Estes efeitos podem durar algum tempo, o que leva a que o piloto que está a aterrar possa ficar sem ver temporariamente, que podem ser minutos. Ou seja, [o piloto] pode deixar de ver precisamente quando mais precisa de ver, que é para aterrar o avião”, alertou Miguel Silveira. 
 
O presidente da APPLA referiu que apontar lasers a aviões “não é desejável”, e lamentou não haver estudos em Portugal sobre este fenómeno, para avaliar, em concreto, a questão da segurança. 
 
Este piloto pede a ajuda da comunicação social, e deixa um apelo às entidades ligadas à aviação para que que levem a cabo uma campanha de informação e sensibilização da população acerca deste fenómeno, o qual ainda é do desconhecimento do grande público e que, para muitos, não passa de uma brincadeira. 
 
“Os media interessarem-se pelo assunto, ou então haver mesmo um campanha iniciada oficialmente pelo Estado, via Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), com a conjunção do GPIAA, e à qual a APPLA se unirá imediatamente e com todo o gosto, para de facto elucidar”, desejou Miguel Silveira.

Fonte:
iOnline 09-11-2014