NOTÍCIAS


Associados
 

2015-08-18

Empresário aposta em avião cargueiro para abastecer a Madeira


Um avião cargueiro fretado pela empresa madeirense FlyMii vai voar cinco dias por semana entre Lisboa e o Funchal. A operação, que começa já a partir de Setembro, aproveita uma oportunidade de negócio, já que o actual transporte por navio é moroso, e todos os dias fica carga em terra que não cabe nos voos comerciais.

O aparelho, um Bombardier CRJ-200 da companhia dinamarquesa Blackbird Air Charter, tem capacidade para transportar entre seis a oito toneladas, com um volume útil de 50m3, e está equipado com uma câmara de refrigeração para produtos perecíveis.

A empresa madeirense assinou um contrato de três anos com a Blackbird, investindo um milhão de euros para fretar e operar o aparelho, prevendo lucros na ordem dos 4%, em linha com o que acontece no sector.

Os estudos da empresa falam de uma procura na ordem das 12 toneladas/dia do continente para a Madeira, e de apenas uma tonelada no sentido inverso. Mesmo assim, tanto Miguel Freitas como as autoridades madeirenses olham para esta operação como facilitadora das exportações de produtos regionais. 

Os voos diários vão decorrer entre terça-feira e sábado, ficando a base de operações em Lisboa. “Os estudos que realizamos, revelam que todos os dias ficam várias toneladas de carga no chão, por falta de espaço nos aparelhos, daí que a FlyMii venha suprimir uma necessidade do mercado”, explicou ao PÚBLICO o administrador da empresa, Miguel Freitas.

A data certa, justifica, ainda não está decidida, porque a FlyMii está a auscultar os principais transitários a operar em Portugal. “Todos os maiores operadores do sector já mostraram interesse, reservando espaço diário de carga”, acrescentou Miguel Freitas, que leva duas décadas de ligação à aviação, metade desse tempo a comandar um aparelho da Portugália.

Se para a Madeira, esta linha regular de carga aérea abre novas oportunidades para os produtores madeirenses, que pela primeira vez podem colocar os produtos nos mercados externos, no próprio dia da colheita, para o Continente as vantagens são semelhantes, porque os chamados "produtos do dia" não são comercializados na Madeira, devido às dificuldades de transporte.

Já os jornais diários, actualmente só chegam às tabacarias madeirenses por volta das 13 horas, tal como o correio.

O grosso da carga entre a Madeira e o continente viaja por mar, numa operação que demora em média cinco/seis dias, estando sempre condicionada pelas condições meteorológicas e pelo tempo que leva para a mercadoria, que viaja em contentor, ser descarregada e entregue.

Com pouco espaço disponível nos porões dos voos de passageiros, o preço do transporte de carga aérea é proibitivo para a maior parte dos produtos, principalmente os agrícolas.

O timetable do avião cargueiro é a saída de Lisboa às seis horas e chegada ao Funchal uma hora e meia depois. O regresso ainda não está definido, mas Miguel Freitas não quer que a tripulação fique mais de uma hora à espera, daí que aponte para a partida do Funchal para as nove ou, “no máximo”, 9h30.

Os valores divulgados pela empresa para o custo de transporte da carga são de 0,60 euros por quilo, nos voos Funchal-Lisboa, e um pouco superiores na ligação inversa, já que a FlyMii prevê que o aparelho levante de Lisboa com a carga máxima.

O escalonamento semanal – o Bombardier não voa aos domingos e às segundas-feiras – é explicado pelo encerramento da maior parte das empresas ao fim-de-semana. “Não se justifica levantar nesses dias”, sublinha Miguel Freitas, sem precisar o valor do transporte da carga de Lisboa para o Funchal. “Será um pouco acima dos 60 cêntimos por quilo [preço Funchal-Lisboa], porque a procura será bem maior.”

Miguel Freitas quer também alargar o negócio a outros mercados. “Estamos em contactos com grupos internacionais, no sentido de alargar o alcance da operação”, disse o responsável da FlyMii, que é também o principal investidor da empresa.

A FlyMii foi fundada em Fevereiro de 2008, e tinha por objectivo a criação de uma companhia de aviação comercial, com dois aparelhos, com base na Madeira. O projecto não avançou, sendo agora adaptado ao transporte de carga.

“Não desistimos da ideia, e vamos avançar brevemente com o serviço de voos charter para a Madeira, em parceria com um grupo hoteleiro”, anunciou o administrador da empresa.


Fonte:
Público 18-08-2015